Introdução ao Jazz

 

Intervalos

O Intervalo é a diferença de altura entre dois sons (ou notas musicais). No sistema temperado ocidental, o menor intervalo existente é o de meio tom, chamado também de semitom ou, em inglês Half Tone (H).

Tipos de Intervalos

Exemplos:

Intervalo simples, melódico, ascendente.

 

Intervalos compostos.

 

Baseado na classificação acima, nomeie os seguintes tipos de intervalos da figura:

 

 

Para se identificar um intervalo:

Exemplo: O nome do intervalo Dó - Fá é 4, pois Dó - Ré - Mi - Fá (4 notas).

A qualidade do mesmo é Justa (P) pois a dist’ncia entre as notas é de 2 e ‡ tons (2 e ‡ T). Veja a tabela a seguir para maiores esclarecimentos.


 

Tabela dos Intervalos (simples)

 

 

Acima da oitava temos os seguintes intervalos compostos:

Atenção: os intervalos de 10, 12 e 14 são usados somente de forma teórica, sendo sempre substituídos pelos intervalos mais perto deles.

 

Na figura abaixo temos na ordem: 9 maior (M9), 12 Justa (P12) e 12 Justa (P12).

 

Notas que têm o mesmo som mas diferentes nomes são chamadas Enarmônicas ou se diz que elas formam um intervalo enarmônico.

Exemplo:

 

 

Um intervalo pode ser invertido quando movemos uma das suas notas uma oitava acima ou abaixo. Neste caso mudam sua qualidade e seu nome.

 

Exemplo: abaixo os intervalos da primeira pauta estão invertidos na segunda.

 

 

Portanto:

 

E as qualidades?


 

FORMA«ˆO DOS ACORDES

Na harmonia originada na música jazz, os acordes são formados por pelo menos quatro sons sobrepostos em intervalos de terças. Estas quatro notas são - fundamental, terça, quinta e sétima - Isto é válido para todos os graus da escala (seja ela maior ou menor).

Š o tipo de intervalo (em relação ý fundamental) que define a qualidade do acorde. Desta forma, teremos diferentes tipos de acordes:

Além dos acordes acima existem outras possibilidades com alterações das notas componentes, como por exemplo, maiores com a 5 alterada e dominantes com a 5 alterada.

 

Por Acorde Maior entende-se um acorde formado pela fundamental, terça maior, quinta justa e sétima maior:

 

 

O acorde menor com sétima é formado pela fundamental, terça menor, quinta justa e sétima menor:

 

 

Entre todas as categorias de acordes, o de sétima da dominante é o que pode adquirir o maior número de "cores harmônicas" e variedade de formas. Esta maleabilidade é devida a presença nele de duas notas características que formam um intervalo de quinta diminuta. Este intervalo permite a quase todas as notas restantes da escala cromática "colorir" o acorde de várias maneiras (também usando combinações de sons).

O acorde de sétima da dominante é formado pela fundamental, terça maior, quinta justa e sétima menor.

 

 

O meio diminuto é formado pela fundamental, terça menor, quinta diminuta e sétima menor.

 

 

O menor de tônica é formado pela fundamental, terça menor, quinta justa e sétima maior.

 

 

Š formado pela fundamental, terça menor, quinta diminuta e sétima diminuta.

 

 


CIFRAS

As cifras representam as notas que podem ser tocadas num acorde, especificando ao mesmo tempo, sua qualidade.

Elas são compostas por letras, números e sinais.

Em cifra substituímos as sete notas Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol com as primeiras sete letras do alfabeto respectivamente: A, B, C, D, E, F, G.

Exemplo: o acorde maior com sétima - fundamental, terça maior, quinta e sétima maior - é representado Cmaj7. Vejamos:

Cmaj7: A letra C indica a tríade maior Dó, Mi, Sol. O sinal maj7 indica a sétima maior Si.

O acorde menor com sétima ñ fundamental, terça menor, quinta justa e sétima menor - é representado Cm7. Vejamos:

Cm7: As letras Cm indicam a tríade menor Dó, Mi bemol, Sol. O numero 7 indica a sétima menor Si bemol.

Os sinais de # e b aparecem logo depois da letra maiúscula que indica a fundamental do acorde. Podem representar também alterações nas notas componentes do acorde. Exemplo: Em7(b5).

 

Tabela das principais cifras

 

Tipo de Acorde

Cifra Padrão (em C)

Cifra aceitável

Maior

C

 

Menor

Cm

C-

Aumentado

C(#5)

C aum

Diminuto

C†

C dim

Maior com sétima

Cmaj7

CM7

Maior com sexta

C6

 

Menor com sétima

Cm7

C-7

Menor com sexta

Cm6

C-6

Sétima da dominante

C7

 

Meio diminuto

Cm7(b5)

Cÿ

Sétima diminuta

Cdim7

C†

Dominante com a 11 aum.

C7(#11)

C7(#4)

Menor com a sétima maior

Cm(maj7)

C-(M7)

 


 

MODOS GREGOS

Para entendermos melhor a respeito da relação escala/acorde, teremos que conhecer os modos gregos que dão nome ýs escalas originadas nos diversos graus da escala maior.

Em outras palavras: em cada grau da escala maior nasce uma escala que tem o nome de um modo grego. Vejamos:

Ou seja, de C até C é Jônico, de D até D é Dórico e assim por diante.

Os modos diferem entre si somente pelo posicionamento dos tons e semitons mas a escala é a mesma: uma escala maior comum a todos eles.

Nesta mesma escala vamos construir os acordes em cada grau por sobreposição de terças.

 

Teremos então:

Portanto, para improvisação em cada acorde acima, podemos usar o modo correspondente a sua fundamental, que é composto pelas notas do acorde em si (f., 3, 5, e 7) mais 3 tons de passagem (2, 4 e 6).

Exemplo: no Cmaj7 (I grau) usaremos o modo jônico; no Dm7 (II grau) o modo dórico, etc.

Isso significa que para todos estes acordes podemos usar a mesma escala maior de C, preferivelmente começando pela nota do acorde escolhido.

Exemplo: no Dm7 usaremos a escala de C a partir da nota Ré, no Bm7b5 usaremos a escala de C a partir da nota Si.

Š importante frisar que, nem todos os acordes originados nesta escala são usados na música Jazz. Mais precisamente, os jazzistas elegeram 5 destes acordes/escalas para improvisação para serem incorporados em seus "standards". São eles:

  • maior com sétima que nasce no I grau (cuja escala é o modo jônico)

  • maior com sétima que nasce no IV grau (modo lídio)

  • menor com sétima que nasce no II grau (modo dórico)

  • Sétima dominante que nasce no V grau (modo mixolídio)

  • Meio diminuto que nasce no VII grau (modo lócrio)

Os outros são usados eventualmente em outros casos que também veremos mais adiante.

Resumindo:

O trabalho a desenvolver agora é a transposição em todos os tons destes 4 acordes preferenciais, escrevendo ao lado a sua respectiva escala e modo.

Exemplo:

Cmaj7 escala de C maior (modo jônico)

Gmaj7 escala de G maior (modo jônico)

Abmaj7 escala de Eb maior (modo lídio)

Dm7 escala de C maior (modo dórico)

Em7 escala de D maior (modo dórico)

Fmaj7 escala de F maior (modo jônico)

Bm7b5 escala de C maior (modo lócrio)

Am7b5 escala de Bb maior (modo lócrio)

D7 escala de G maior (modo mixolídio)

B7 escala de E maior (modo mixolídio), etc.

 

Exemplos:

Escala maior de Ab (modo lídio)

 

Escala maior de Bb (modo mixolídio)

 

Escala maior de Eb (modo lócrio)

 


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