GUITARRA: a evolução continua

 

INTRODUÇÃO 

Dando seguimento ao trabalho anterior, é objetivo do presente, traçar a evolução da guitarra do século dezessete ao século dezoito, dando também, uma visão do contexto histórico em que esta evolução aconteceu e discutindo as formas de expressão nas artes plásticas deste período.  

A guitarra é um instrumento que sofreu, ao longo dos séculos, várias modificações em sua forma e sonoridade. Nossa hipótese é que, neste mesmo período histórico, a nobreza européia, tornou-o um instrumento reconhecido e indispensável. O número de compositores, instrumentistas e luthiers cresceu de maneira vertiginosa, e uma melhoria nos métodos de documentação fez com que o nome destes mesmos instrumentistas chegasse até o nosso tempo. 

Começaremos fazendo um histórico do desenvolvimento desse instrumento até o século dezoito. Depois falaremos um pouco da história das artes no período Barroco e no período Clássico. Na conclusão tentaremos fazer uma ponte entre a história deste instrumento e a historia da música deste mesmo período.


 

HISTÓRIA DA GUITARRA

 Os séculos Dezessete e Dezoito

Como falamos na introdução, a nobreza européia, tornou a guitarra um instrumento indispensável. O número de compositores, instrumentistas e luthiers na Europa inteira cresceuÀ vertiginosamente, e uma melhoria nos métodos de documentação fez com que o nome dos instrumentistas e compositores chegasse até os nossos dias.

 Sabe-se que o Rei Luís XIV da França tocou guitarra, e fez dele o seu instrumento favorito. Ele tinha como professor um dos mais renomados guitarristas da época, Robert de Visée (1650-1725). Jean Batiste Lully também foi um grande compositor da época, que também tocava e compunha para o instrumento.

 Neste período, é importante ressaltar a influência germ’nica e do leste europeu na evolução da guitarra. Na Holanda, o trabalho de Isabel Van Langenhouse é de grande valor, assim como na Alemanha foi o de Heinrich Schutz (1585-1672). No leste europeu, porém, a influência da guitarra italiana foi marcante. A guitarra batente serviu claramente como modelo para as guitarras encontradas em pesquisas históricas que foram produzidas em Praga.

 Embora a guitarra na Espanha ainda não fosse tão popular quanto na Itália, devido ao grande sucesso da vihuela, alguns trabalhos de compositores espanhóis para a guitarra merecem destaque. Dentre eles destacamos o trabalho de Gaspar Zans que desperta grande interesse até os dias de hoje. Zans estudou guitarra na Itália, assim como órgão e teoria musical. Mais tarde, tornou-se mestre de capela da corte em Nápoles. Ao retornar ý Espanha publicou três livros entre 1674 e 1697, explicando detalhadamente questões como performance, improvisação e afinação. A afinação usada por ele era A-D-G-B-E (vale ressaltar que a mudança principal na estrutura de guitarra no século dezessete foi a introdução da quinta corda). No seu livro Zans também mostrou seu trabalho como compositor de danças e Passacalias. A maioria das músicas está em tablatura, entretanto, encontram-se músicas em notação moderna.

 Outro compositor de destaque foi o Padre, compositor e músico de corte Don Francisco de Guerau, que em seu livro ìPoema harmônico compuesto de varias cifres por el temple de la guitarra espanholaî, mostra várias danças e Passacalias. No livro se encontram várias instruções técnicas de grande valor, como o posicionamento das mãos direita e esquerda.

 Em Portugal, o guitarrista Doisi de Velasco se destaca, publicando seus livros primeiramente na Itália. Este fato, vivenciado também por outros compositores, mostra a grande popularidade que a guitarra apresentava na Itália. A Itália foi realmente o centro da música guitarrística no período barroco. A popularidade do instrumento cresceu, quando os músicos italianos adotaram o sistema espanhol de execução, ou seja puxando as cordas, em oposição ao rasgueado, onde com movimentos de ataque se tocava várias cordas do instrumento simultaneamente. Esta maneira de execução é remanescente da execução da vihuela, ou guitarra espanhola como era chamada na Itália. Este termo ainda é usado até hoje em todo o mundo para designação do violão.

 As duas maneiras de tocar coexistiram durante o século dezessete, sendo que rasgueado era anotado através de cifras que indicavam o acorde a ser atacado. Este modelo é usado até hoje para registro de músicas populares.

 Um outro grande guitarrista italiano, foi Francesco Corbeta. Ele excursionou por toda a Europa, fazendo recitais e anotando músicas para o instrumento. No século dezoito, a Itália foi sem dúvida o centro guitarrístico da Europa, porém, outro país começou a se destacar no painel musical da guitarra neste período: a Alemanha.

 A Alemanha devido a presença de compositores como Bach , Johan Pachelbel e outros que compuseram para o Alaúde, vivenciou um grande crescimento no interesse por este instrumento. Porém o Alaúde, devido ao rápido desenvolvimento da técnica envolvida em sua execução, adquiriu uma estrutura muito complicada, e chegou a possuir 24 cordas. Obviamente, muitas delas, vibravam apenas por simpatia, gerando harmônicos. Devido a sua execução ser demasiado complicada, vários músicos abandonaram o instrumento e adotaram a guitarra. Muitos compositores, dedicaram composições para este instrumento, o que aumentou o interesse pela guitarra. Entre estes compositores está o nome de Friedrich Baumbach, Johan Cristhiam Franz e Joham Arnold.

 Outro acontecimento marcante desta época, que ajudou a fixar a guitarra no gosto popular, foi o uso dela em conjunto com outros instrumentos como flauta, viola e baixo.

 Š da Alemanha que se tem notícia da mais antiga publicação para guitarra de seis cordas. De acordo com o livro, a afinação indicada era D,A,D,F#,A,D. O instrumento ganhou popularidade e chegou a países vizinhos, como Holanda, Bélgica e Dinamarca. Atingiu também grande popularidade em países do leste europeu, como Tchecoslováquia e Rússia. Jeamm Batist Wanhall (1739-1831), compositor Russo, escreveu para a guitarra em 1780. Nesta época, vários construtores russos de violinos, cellos e, até mesmo, de balalaicas, já trabalhavam na fabricação da guitarra.

 Embora a guitarra já fosse um instrumento da corte, foi na França que este realmente ganhou a graça da nobreza. Em pinturas de Jeam Batiste Pater, vários jovens da nobreza são retratados tocando o instrumento em poses de graça e deleite. Mais tarde, com a revolução francesa, o instrumento ganhou força na população de um modo geral.

 Somente no final do século dezoito a Espanha floresceu na arte da construção e da execução do instrumento, provavelmente devido a ainda grande popularidade da vihuela. Vários construtores vindos da Itália criaram instrumentos de qualidade. Entre eles Juan Matabosch se fez notar. Ele construiu a primeira guitarra de Fernado Sor, figura de grande import’ncia para o desenvolvimento da técnica guitarristica.

 Enquanto a popularidade da guitarra crescia na Espanha, na Itália o instrumento entrava em declínio, mas ainda se mantinha em evidência devido ao trabalho de compositores como Luigi Boccherini (1746-1805). Boccherini excursionou por toda a europa como violinista cellista e foi mestre de capela em Madri. Lá aprendeu a tocar a guitarra e foi compositor do instrumento na Prússia onde também foi mestre de capela. Compôs ìSinfonia Concertanteî para guitarra , violino, oboé, cello e baixo. Esta peça é muito executada ainda hoje.

 Nesta época é evidente um esforço no sentido de uma melhor funcionalidade para o instrumento. As mudanças na sua construção e execução fizeram-se sentir também no novo mundo, especialmente ma América do Sul. A Argentina já possuía grandes compositores e guitarristas, como Manuel Macia e Antonio Guerriero. A evolução de maior import’ncia na guitarra foi a adição da Sexta corda. Este passo foi fruto do século dezoito, assim como a Quinta corda foi do século dezessete. Š importante frisar que não mais eram utilizadas cordas duplas, mas sim cordas simples a partir do meio do século dezoito. A roseta foi substituída por um buraco liberando a sonoridade do instrumento, o corpo foi aumentado, trastes de metal foram adicionados. A tablatura tornou-se obsoleta e começou-se a escrever para o instrumento em notação tradicional, porém uma oitava abaixo. Por este motivo dizemos que o violão é um instrumento transpositor. Todas estas transformações fizeram com que o instrumento no Século dezenove tornou-se muito popular em toda a Europa, e também na América.

 Melhoras nos sistemas de transportes com ferrovias interligando vários países, fizeram com que grandes oportunidades se abrissem, e possibilitaram extensas turnês e interc’mbios de grandes proporções. Viena se tornou, então, o novo centro musical do instrumento, e o maior expoente desta explosão foi Simon Molitor (1766-1848). Simon compôs vários solos para o instrumento e música de c’mara. Outra grande figura de destaque foi Mauro Giuliani. Italiano, Giuliani, viveu muitos anos em Viena exercendo grande influência como concertista. Excursionou por toda a Europa aumentando a aceitação da guitarra como instrumento sério e de grande import’ncia.

 Franz Shubert (1797-1828) tocou e compôs para o instrumento. Muito pobre para possuir um piano, utilizou a guitarra como meio de composição. Escreveu várias canções para voz e violão e um belo quarteto para flauta, guitarra, viola e cello. Outros italianos influenciados por Giuliani, seguiram seu exemplo , entre eles, Luigi Legnani (1790-77) e Matteo Bavilaqua. Haydn também escreveu um trio para violino, violoncelo e guitarra em que conferiu, a esta um papel de acompanhamento. Weber, sendo um bom guitarrista, escreveu bastante literatura para este instrumento, entre se incluem 90 canções com acompanhamento de guitarra.

 Os maiores expoentes do período Rom’ntico foram sem dúvida os espanhóis Fernando Sor e Dionísio Aguado, e os italianos Fernando Carulli e Mateo Carcassi (assim como Giuliani, já mencionado). Afigura de maior destaque foi sem dúvida Fernando Sor. Sor foi um grande virtuoso do instrumento. Nasceu em Barcelona em 1778 e recebeu educação musical em um monastério de Montserrat. Aos dezoito anos Sor escreveu uma Ópera: ìTelemachus on Calypsus Isleî que chegou a ser produzida em Barcelona.

 Sor então se mudou para a França em 1812, onde se apresentou e encantou o público Francês. Estreiou em Londres em 1815, e foi o primeiro e único guitarrista a tocar com a London Philarmonic Society. Em 1817 estreiou seu Concerto para guitarra e cordas. Em 1820 foi para a Alemanha e Rússia, onde produziu três de seus ballets. Em 1825 Sor compôs uma marcha funerária para o Czar Alexander que havia morrido. Retornou então ý França, onde trabalhou incessantemente como compositor e professor.

 Suas composições listam mais de 300, entre solos de guitarra e óperas completas. Mas seu maior esforço foi seu método ìMéthode de la guitarreî de 1830, trabalho de mais de trinta anos de experiência.

 Apesar disso, a Itália ainda se mantinha como centro guitarrístico da Europa, mostrando sempre grandes virtuosos.

 Fernando Carulli nasceu em Nápoles em 1770 e morreu em Paris em 1841. Iniciou sua vida musical como cellista, porém depois se dedicou exclusivamente ý guitarra, tornando-se o maior virtuoso da Itália na época. Ficou famoso na França tocando suas mais de 366 composições, e por seu método de guitarra utilizado até os dias de hoje.

 Mateo Carcassi (1792-1853) conterr’neo de Carulli, aprofundou a técnica de Carulli, com o livro ìMétodo Completo para Guitarraî, que se tornou um dos livros mais utilizados em toda a Europa. Fez recitais na Alemanha, Itália e Inglaterra, quando então estreiou na França com grande sucesso.

 Caso a parte é o de Niccoló Paganini (1782-1853), mais conhecido como virtuoso do violino, era também extraordinário guitarrista. Compôs muito para a guitarra solo e em conjunto com outros instrumentos. Paganini foi um músico conhecido principalmente por seu temperamento e egocentrismo. Pode se dizer que a personalidade de Paganini foi precursora da personalidade dos músicos da era do Jazz. Devido a este detalhe de sua personalidade, Paganini nunca aceitou o fato de não ser o melhor na guitarra (posto este ocupado por Giuliani), o que fez com que Paganini apenas compusesse para a guitarra, mas não a tocasse profissionalmente.

 Um grande amigo de Paganini foi Zani de Ferranti (1800-1878), virtuoso e compositor que foi realmente o primeiro a excursionar pelos Estados Unidos com grande sucesso.

 Napoleon Coste (1806-1883) também foi figura de destaque. Morou muitos anos em Paris se socializando com músicos como Sor, Aguado e outros, tocando intensivamente até que um acidente lhe incapacitou uma das mãos. Seu maior mérito foi estimular a redescoberta da música Barroca.


 

BREVE RESUMO HISTÓRICO DA ARTE BARROCA

             A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e pelas primeiras décadas do XVIII. Surgiu em Roma e depois se espalhou aos poucos por toda a Europa e a América Latina, assumindo características diversas ao longo do tempo.  

O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, teve como conseq¸ência uma grande reformulação no Catolicismo, em resposta ý Reforma protestante, desencadeada por Martinho Lutero (1483-1546). A disciplina e a autoridade da Igreja de Roma foram reafirmadas vigorosamente, estabelecendo-se a divisão da cristandade entre católicos e protestantes.  

O significado da palavra barroco ainda não foi totalmente esclarecido. Era usada na ourivesaria para designar um certo tipo de pérola irregular. Mas era usada também para descrever as linhas curvas dos móveis e a dissolução dos contornos firmes na pintura.  

Um dos principais nomes da arte Barroca na Europa foi o arquiteto e escultor italiano Bernini, responsável pelo replanejamento da praça de São Pedro, no Vaticano, e pelas várias praças e fontes de Roma que, ainda hoje, dão um ar barroco ý cidade. Na pintura, ressalvando-se as grandes diferenças de estilo que há entre os pintores, podemos destacar Caravaggio, Carracci, El Greco, Rubens, Velázquez, Rembrandt, Zurbarán, Vermeer entre outros.

 Na música, os compositores abandonam a polifonia e a homofonia-coral e adotam a homofonia-melódica (melodia e acompanhamento) com a progressão de acordes tonais: I-IV-V-I. Esta progressão constante de acordes, que sustenta a melodia, chamava-se de baixo contínuo. Como estes acordes não eram escritos com todas as notas, os compositores inventaram o sistema de baixo cifrado: números e símbolos para resumir e indicar a harmonia que seria realizada pelos intérpretes.  

Há uma profusão de ornamentos, todos derivados de práticas antigas e populares. No Barroco os ornamentos tinham uma dupla função: afirmar a harmonia e dar cor ý pouca sonoridade dos instrumentos.  

A orquestra começa a se formar no século dezessete. O grupo musical recebeu este nome porque os músicos ocupavam o lugar originalmente destinado aos dançarinos nos teatros internos, construídos nos palácios da nobreza nos séculos quinze e dezesseis. A palavra orquestra significa lugar para a dança em grego. Num primeiro momento estas primitivas orquestras, que tocaram as primeiras óperas, balés e faziam músicas para peças teatrais, eram conjuntos amorfos constituídos de flautas-doce, oboés, trompetes, trombones, harpas, cravos, alaúdes, tiorbas, violas medievais, entre outros - um verdadeiro ìviolão giganteî, como apelidaram na época. Na realidade era um grupo que se juntava, quando da necessidade da produção do espetáculo.

Com o desenvolvimento do tonalismo, os compositores procuraram um maior equilíbrio entre os timbres. Assim a orquestra padrão ficou formada pelas cordas (família dos violinos) e por um instrumento que fizesse os acordes. As funções eram estas: a melodia sempre a cargo dos primeiros violinos, as notas intermediárias da harmonia a cargo dos segundos violinos e das violas, as notas graves para os violoncelos e contrabaixos e a realização dos acordes para o teclado (órgão ou cravo).  

A Opera nasceu neste período histórico. A palavra ópera é uma abreviatura da expressão italiana opera in música, ou seja, obra literária posta em música. Na época surgiram também as denominações: favola in musica ("lenda musicada") ou dramma per musica ("teatro musicado").  

Um grupo de intelectuais de Florença, os membros da Camerata Fiorentina, queria recriar, dentro do espírito renascentista literário, as tragédias gregas, que eram acompanhadas por música. Só que ao traduzir uma expressão grega que significava "declamando", eles a traduziram por "cantando" (nas palavras italianas "per recitare cantando"). De um erro de tradução, sem querer, criaram um novo gênero musical!À Os principais nomes da ópera deste período, foram Jacopo Peri e Giulio Caccini primeiro, mais tarde Monteverdi, Vivaldi e Scarlatti.


 

BREVE RESUMO HISTÓRICO DA ARTE CL¡SSICA

             Os antigos gregos foram os primeiros grandes clássicos. Posteriormente, os romanos, os franceses, os ingleses e outros povos produziram movimentos clássicos. Inspirando-se no modelo da Antiguidade clássica greco-romana e no Renascentismo italiano, o classicismo, estabeleceu princípios ou normas, como a harmonia das proporções, a simplicidade e equilíbrio da composição e a idealização da realidade. Recusando, portanto, a emotividade e a exuber’ncia decorativa do barroco. O movimento Clássico francês do séc. XVII desenvolveu os valores clássicos de maneira mais expressiva do que qualquer outro. Os clássicos franceses deram forte ênfase ý razão e ý inteligência na análise das idéias e ações humanas. Entre as mais importantes personalidades da história intelectual e literária deste período estão o matemático e filósofo René Descartes, o escritor moralista duque de LA Rochefoucauld, o escritor de fábulas Jean de La Fontaine e os dramaturgos Pierre Corneille e Jean Racine. O período clássico inglês seguiu o classicismo francês. Surgiu no fim do séc. XVII e chegou ao apogeu na metade do séc. XVIII. Os ingleses chamaram seu movimento de neoclassicismo, tomando como modelo o classicismo da França, Grécia e Roma.

 O termo ìClássicoî, em música, é empregado em dois sentidos diferentes. As pessoas, as vezes, usam a expressão ìmúsica clássicaî considerando toda a música dividida em duas grandes partes: clássica e popular. Para o musicólogo, entretanto, ìMúsica Clássicaî tem sentido especial e preciso: é a música composta entre 1750 e 1810, que inclui a música de Haydn e Mozart, bem como as composições iniciais de Beethoven.

 A música criada durante o período renascentista ainda não exibe as características do classicismo. A simplicidade, a emoção contida e a clareza da forma clássica só aparecem nas composições a partir de meados do século XVIII, depois do barroco, quando as outras artes já vivem o movimento neoclássico. A transição da música barroca para a clássica é feita sobretudo por Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) e Johann Christian Bach (1735-1782), filhos do compositor Johann Sebastian Bach (1685-1750). No classicismo, os compositores passam a elaborar formas maiores e mais desenvolvidas, como a sonata, a sinfonia e os concertos para instrumentos e orquestra. Os dois principais representantes desse período são os austríacos Joseph Haydn (1732-1809) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

 A música clássica mostra-se refinada e elegante e tende a ser mais leve, menos complicada que a barroca. Os compositores procuram realçar a beleza e a graça das melodias. A orquestra está em desenvolvimento. Os compositores deixaram de usar o cravo e acrescentaram mais instrumentos de sopro (clarinete, por exemplo).

 Durante o Classicismo, a música instrumental passou a ter maior import’ncia que a vocal. Nesta época criou-se a sonata. Š uma obra com vários movimentos para um ou mais instrumentos. A sinfonia é, na realidade, uma sonata para orquestra. Os números de movimentos passam a ser quatro: rápido - lento - Minueto - muito rápido. Haydn e Mozart foram os maiores compositores de sinfonias do Classicismo.

 Nas Artes Plásticas, na Literatura e no Teatro, o classicismo coincide com o Renascimento. O classicismo é profundamente influenciado pelos ideais humanistas, que colocam o homem como o centro do Universo. Reproduz o mundo real, de forma verossímil, mas moldando-o segundo o que é considerado ideal. Š importante que as obras sejam harmônicas e reflitam determinados princípios, como ordem, lógica, equilíbrio, simetria, contenção, objetividade, refinamento e decoro. A razão tem mais import’ncia do que a emoção.

 Na arquitetura, retorna o gosto pelas formas clássicas e corretas. A organização do espaço é geométrica e predominam nos edifícios as formas simples, com detalhes gregos ou romanos, colunas, paredes lisas e contrastes de texturas. As obras são monumentais e grandiosas. Os arquitetos mais importantes são alemães, ingleses e franceses. Entre estes, destacam-se Štienne-Louis Boullée (1728-1799) e Claude-Nicolas Ledoux (1736-1806). Os edifícios característicos são o Arco do Triunfo, em Paris, o Portão de Brandenburgo, em Berlim, e o Petit Trianon, em Versalhes.


 

CONCLUSˆO

             Como vimos, a guitarra nestes dois séculos fixou-se noÀ gosto do povo e da aristocracia também, apesar de a revolução francesa ter posto um fim gradativo a qualquer forma de aristocracia tradicional.

O advento da Opera na era Barroca fez com que se precisasse cada vez mais de instrumentos práticos e soltos para acompanhar os cantores de Arias. O estilo guitarristico de acompanhamento típico, batendo em todas as cordas simultaneamente e lendo as tradicionais cifras do baixo contínuo, foi gradativamente evoluindo para um estilo que hoje chamamos de dedilhado. Mais complexo mas de resultados harmônicos e melódicos mais satisfatórios.

 No neoclassicismo e no classicismo, épocas em que a virtuosidade instrumentistica chegou a níveis jamais vistos, nomes como Sor, Carulli, Carcassi e Giuliani, levaram a técnica e a sonoridade do instrumento ao seu máximo aproveitamento. A guitarra só não foi mais bem aproveitada em todas as formações da época, por ser demasiado grave e portanto, não possuir um volume suficientemente alto para ser ouvido em conjuntos com um grande numero de instrumentistas. Somente mais tarde, com o aprimoramento das técnicas de construção, será possível encontra-la como instrumento solista em grandes concertos de orquestra.


 

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