Harmonizações

O nosso objetivo, neste momento, é poder improvisar melodias com os acordes (chord solo) ou mesmo poder harmonizar linhas melódicas existentes (chord melody).

O estudo desta apostila nos permitir fazer isso, e também nos permitirá melhorar notavelmente o nosso desempenho no acompanhamento de algum solista.


Harmonização de uma linha melódica com um I grau

A primeira harmonizaçao a ser estudada é a de uma escala maior em G. As notas no topo de cada posiçao são as notas da escala maior de G (modo Jónico), as restantes abaixo são componentes essenciais do acorde de Gmaj7.

As vezes, o acorde de Gmaj7 poderá ter algumas notas adicionais, tais quais a 9 ou a 13 (6) sem por isso alterar a sua função tonal.

Veja a figura:

 

Algumas posiçaes podeão ter uma outra digitaçao quando colocadas em lugares diferentes no braço. Veja:

é importante agora transportar para, pelo menos quatro outros tons: C; F; Eb; Bb;

Harmonizaremos agora a escala de C. Como na harmonizaçao anterior, por praticidade, as notas da escala não começam pela tônica e nem acabam nela. Isso porque a guitarra tem seis cordas, e para ter um resultado aceitável, na harmonia de tipo jazzístico, um acorde tem que ter pelo menos cinco sons; vamos então colocar a nota mais grave possível da escala na segunda corda (seja qual for a nota) para permitir o uso das outras quatro cordas restantes para as disposições das outras vozes.

Analisando a progressão anterior no tom de G, podemos notar algumas diferenças de posições com as mesmas no tom de C; troque à vontade as posições. Se alguma dessas posições do outro tom lhe agradou mais, é só transportá-las para este novo tom.

O estudo só serve para extrair da gente aquilo que a gente já possui, mas não sabe ainda. Portanto, as melhores posições são aquelas que o seu gosto musical ditar.

Finalizando, vejamos, uma harmonização de uma linha melódica em F (escala de F, modo Jónico).

Como devem ter reparado, nesta última transposição, tivemos a ousadia de começar com notas da melodia na terceira corda. Os primeiros três acordes têm a nota da melodia na terceira corda. Isto é possível, mas com cuidado, pois a sonoridade muito grave do acorde pode vir a distorcer a sua compreensão auditiva.

Neste último exemplo, fizemos bastante uso das substituições. Analise as posições 2, 3, 9, 10 e 13, e veja você mesmo quais são as notas que as compõem e que relação elas tem com o acorde da tónica em questão (F).

Nota: para um estudo mais aprofundado das substituições veja outras apostilas.

Exercícios:

Transportar as progressões acima para todos os tons e escrevê-las.

Estudar as progressões de cima para baixo e de baixo para cima, como se estivéssemos estudando uma escala.

Aumentar a velocidade, baseados no metrónomo, de 10 pontos por dia.

Aplique todos os patterns melódicos que você usa quando estuda as escalas nestas progressões (lembre-se: o objetivo é improvisar com os acordes!).

Harmonize as seguintes linhas melódicas:

Em C:

Em G:

Em Bb:

Em Ab:

Resumindo: toda a vez que você se deparar com uma cifra de acorde maj7 e uma linha melódica relativa, poderá usar estas harmonizações. Elas são ótimas para embelezar a própria linha melódica, ou para acompanhar com maestria um eventual solista da sua banda.

A seguir veremos uma harmonização utilizando um II grau (m7), também chamado de modo dórico.

Harmonização de uma linha melódica com um II grau

Como no I grau, usaremos como linha melódica no II a escala do acorde m7 (modo dórico).

A nota do começo e do fim da progressão dificilmente coincidirá com a tónica do acorde m7, mas, como falamos anteriormente, isso nem sempre é possível devido a conformação da guitarra.

O acorde que tomaremos como base é o Am7 (modo dórico) cuja escala é a escala maior de G que começa pelo LÁ (repare na armadura da clave):

Aqui também às vezes o acorde de Am7 simples adquire algumas notas adicionais, tais como a 9ª ou a 11ª (4ª). Isso, todavia não altera a sua função tonal.

Como no acorde Maj7, temos também algumas posições alternativas, mais precisamente a 5ª, a 6ª, a 7ª e a 10ª. Vejam elas a seguir:

Pessoalmente gosto de todas elas, mas no começo, para efeito de estudo, é recomendável escolher as melhores para praticar no instrumento. Assim que as tivermos decorado e assimilado, poderemos acrescentar as outras.

Vejamos agora uma transposição desta harmonização para o tom de C:

Exercícios:

Transportar a progressão acima em todos os tons.

Aplicar os exercícios práticos já utilizados na harmonização maior.

Harmonizar as seguintes linhas melódicas (antes devagar, depois aumentando a velocidade, mas com segurança!):

Em C:

Em Eb:

Em Gb:

Agora misturando os tons:

Estas melodias estão escritas, mas poderiam muito bem estar nas suas cabeças em forma de improviso. Como próximo exercício, portanto, iremos tentar improvisar com os acordes (chord solo) na seguinte progressão harmónica:

Esta progressão em si é feia pela falta dos acordes de dominante (V7), mas o nosso trabalho consiste em se esforçar para criar belíssimas melodias improvisadas e harmonizá-las da melhor forma possível com bom gosto. Usem o metrónomo!

No próximo capítulo veremos a harmonização do acorde de sétima da dominante (V7) no modo mixolídio.

Harmonização de uma linha melódica com um V grau

Veremos esta harmonização primeiro no tom de G.

Estamos falando de uma harmonização para um V grau (V7), um acorde de sétima da dominante que usa uma escala maior uma quinta justa abaixo da fundamental dele chamada também de modo mixolídio. Começaremos com o acorde de D7 que usa a escala de G (modo mixolídio) e pertence ao tom de G.

Com este acorde as nossas próximas progressões harmónicas ficarão mais completas, pois já conhecemos as harmonizações maiores e menores.

Como para as outras harmonizações, aqui também temos posições substitutas ou alternativas (a 5ª, a 6ª e a 8ª). Lá vão elas:

Mesmo as posições base podem ter digitações diferentes dependendo da localização delas no braço. Vamos ver alguns exemplos:

A 3ª posição base (D9) esta sendo tocada no VII casa, mas poderia ser tocada no II e a sua digitação passaria a ser (de baixo para cima): 2-3-4-1.

A 4ª posição também poderia ser tocada no III casa, passando então a ser: 2-3-4-1.

Assim por diante. Estas trocas de posições e digitações, como também as posições substitutas, são bastante úteis quando transportamos a harmonização para outros tons.

Transportaremos agora a harmonização para o tom de Eb. A escala a ser harmonizada será a de Bb7, o V7 grau (mixolídio) do tom de Eb:

Nesta última harmonização usei algumas posições diferentes da primeira. Ouça quais mais lhe agradam, e escolha. Eu pessoalmente gosto mais da sonoridade do segundo grupo de posições.

Como na harmonização anterior, aqui também temos algumas posições alternativas. Vejam elas a seguir:

Agora estamos em condições de tocar livremente sobre um II - V - I da tonalidade maior, por exemplo, ou outras progressões básicas da música Jazz. Vamos então aos exercícios.

Exercícios:

Transportar a progressão acima em todos os tons.

Aplicar os exercícios práticos já utilizados na harmonização maior e menor.

Harmonizar as seguintes linhas melódicas (antes devagar, depois aumentando a velocidade, mas com segurança!):

Em G, um clássico II - V - I da tonalidade maior. Típica progressão de origem jazzística que posteriormente se alastrou a outros gêneros musicais.

Harmonização de uma linha melódica com um VII grau

A última linha melódica a ser harmonizada na tonalidade maior ƒ a do acorde semidiminuto (m7b5) que nasce no VII grau da escala maior.

A escala que usaremos na seguinte harmonização é, portanto, uma escala maior que nasce um semitom diatónico acima da fundamental do acorde, ou seja, no caso de um Dm7b5, a escala que usaremos será a de Eb maior (atenção ao nome do tom; tem que ser um semitom diatónico: Eb, e não D#).

Este acorde, apesar de se encontrar na escala maior é muito mais usado na tonalidade menor (num II - V – Im, por exemplo) onde ele é o II menor com a quinta diminuta que introduz um V7.

Vamos a harmonização. A primeira será no tom de Ab maior. O acorde tratado será, portanto o Gm7b5:

Aqui temos somente uma posição alternativa, em substituição a oitava posição da progressão acima:

Vejamos agora a mesma progressão para o VII grau no tom de Eb. O acorde tratado será o Dm7b5:

Exercícios:

Transportar a progressão acima em todos os outros tons.

Harmonizar as seguintes linhas melódicas (antes devagar, depois aumentando a velocidade, mas com segurança!):


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